Com qual sinceridade ?
E se eu te contasse que a minha risada é capaz de espantar pelo menos uns dez pássaros, e que a sua, nem uma andorinha de outono consegue iludir. Que eu sou de cerâmica bruta, que eu sei passear devagar com a ponta dos dedos na timidez da sua pele, que eu conheço mais tons de lilás do que você.
Se baixinho eu confessasse que só hoje, eu engoli uma porção de borboletas tristes, muito mais graves que o canto esquerdo da sua boca quando faz aquele sorriso malicioso. Que desde o início dos tempos eu tenho sentido a terra pela alma do mundo, escutado a água pelo tilintar das ematitas. Na madrugada, o meu choro é mais silencioso que o seu.
Pelo pulsar, lhe diria que a madeira dos seus olhos não chega nem aos pés do amor que eu guardo na gaveta. Que eu gosto mesmo é dos seus olhos. Que eu invejo aquelas orquídeas com o amargo do seu medo em errar.
E na ausência, pelos sopros de outubro eu vou te dizer: evitei te magoar com muito mais escuridão do que você teve ao me ver, sem enxergar...
domingo, julho 12
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário