Um diário, inacreditavelmente, agora eu tenho um diário. Ele não é aquele modelo clássico,cheio de flores e com um cadeadinho lateral, eu sei, só que mesmo assim ele se encaixa exatamente naquilo que eu preciso. Ele é de capa dura, pequeno e discreto; vem com direito a boberinhas delicadas, como dizer ¨meu querido diário¨ e até uma espiral do lado para que eu possa arrancar qualquer relato que estiver realista demais. E o mais interessante dele, é o fato de que eu vou esconde-lo em algum canto secreto do meu quarto, e junto com ele todo o mistério que os diários costumam irradiar, todos os segredos subliminares, toda confusão de desejos.
É, eu achei que nunca teria coragem para comprar um diário, mas acredite, agora eu tenho um diário.
Vou contar do começo como é que isso foi me acontecer, é que eu não sei bem ao certo como explicar, mas o fato é que na maioria das pessoas o sentir flui, simplesmente flui. Corre pela alma com a mesma naturalidade com que correm as águas de um rio,
quando em mim...diferentemente, é tudo represa. Guardado. Contido. Reservado. Eu sei, isso não tá certo, nunca esteve. Além do mais, de uns tempos pra cá, tá tudo muito intenso, tá tudo transbordando em mim. Não dá pra impedir a mudança das marés.
O fato é que tudo aquilo que for pessoal demais irá para o diário, e não mais para esse Dinstante.
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