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terça-feira, abril 21

Pesos.

Antes do semi-vegetarianismo, das roupas confortáveis, da postura ereta, do relógio no pulso, do reconhecimento da importancia da família, da monogamia, das regras, eu tinha treze anos e nenhum medo. Não, não que fosse segura, auto confiante ou qualquer bobagem autojustificativa, é que o medo era automaticamente transformado em raiva e posteriormente em metas e objetivos. 
Antes do semi-vegetarianismo, das roupas confortáveis, da postura ereta, do relógio no pulso, do reconhecimento da importancia da família, da monogamia, das regras, eu fui até meu limite, e o neguei.
Calça jeans, blusinha, cabelos longos, olhar pretencioso prepotente prematuro previsível premeditado pertinente permissivo.
Era semi-rebeldia, de roupas largadas, de postura abandonada, de pulseiras pratedas, o reconhecimento da importância de levar tudo ao extremo limite, de nunca abaixar a cabeça, de nunca me deixar dominar.
Mais o extremo limite não não me fez bem, sabe, o equilíbrio vale mais.
Saia solta, blusa solta, cabelos cortados, sorriso doce desinteressado distante delimitado despreparado desfocado desarmado.
   Besteira, tudo isso. Eu não mudei cresci, amaduresci, envelheci ou qualquer bobagem autojustificativa. Sabe, eu sou a mesma, ainda coleciono crucifixos, é que agora tá difícil acha-los. Mentira, o colar que eu sempre uso é uma clave de sol, não um crucifixo.
  Continuo a mesma, é que estou dentro de outra. Ainda sim, quero um mudança, não uma mudança qualquer, quero um desmoronamento. Pois na hora em que tudo desaba da pra aproveitar a confusão e entrar numa outra Eu maior ainda.

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