Da fuga
Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo, não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água
vou buscando uma morte de luz que me consuma.
Garcia Lorca
Decorei esse poema em 2006, eu lia e relia,acho que ainda leio e releio ele.
beem,agora to aqui, compartilhando meu segredinho.
quinta-feira, outubro 16
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