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quarta-feira, agosto 20

Rosa dos Ventos.

Era uma casa antiga, que nasceu junto com o mundo,lá na época das grandes explosões de luz.
Apesar de tão vivida, sua estrutura era forte e resistente, como se o tempo ao invés de corroer o que lhe era frágil, a tivesse amadurecido e dado propósito. O telhado era fino, a claridade entrava e se espalhava. O céu ficava a vista, mas sem estrelas ou lua, fazia parte sem o fazer.

Uma construção simétrica, cheia de equilíbrio. Esta casa era como um Templo. Era misteriosa.
Irradiava novos ventos e guardava um labirinto no interior. Era assim, só em si.

Os quartos vazios, onde outrora foram guardados os amores e os caprichos, oscilavam entre o pó e a sombra. Era assim, pois desde que uma voz uníssona inundou os cômodos, as possibilidade de re-começos deixaram de repousar ali.


Mas a mudança sempre retornava.
No início do outono e no final da primavera, sentia se luz.
Uma luz tênue que invadia tudo, que renovava tudo.
Era quando as janelas se abriam. Era tempo de flores ; música ; lápis de cor ; e palco de todas as histórias que a mente humana já sonhou.

De alguma maneira a vida prevalece nesta casa. Ora brilhante,ora escondida, mas ainda sim presente.

Ultimamente, a casa se encontra distante do vilarejo. As pessoas vão lá a procura de abrigo, de realidade, mas dificilmente a chamam de lar.
Pois assim como as pedras das catedrais, as grandes pedras dessa casa tem expressado mais frio do que acolhimento. Embora continuem as mesmas pedras de sempre.

O silêncio sufocando o amor.

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