
-As letras são o mais importante nas músicas do Engenheiro do Hawaii? é “dizer algo”?
-E um dos aspectos importantes. E é menos racional do que as pessoas imaginam, pelo menos no meu caso. Geralmente eu demoro um tempo pra saber o que eu quis dizer. Também estou na busca.
-Qual o sentido de fazer música? (é preciso que haja algum?) O que te impulsiona a compor?
-é natural e inevitável para mim… não penso em nada nem em ninguém quando componho… simplesmente me parece a coisa certa a fazer. é uma maneira de pensar com o coração e sentir com a cabeça.
-Além de fonte para as citações presentes em suas músicas, como a literatura influencia suas composições?
-Sempre gostei de ler. Mas a influência quase nunca aparece de forma linear. Toda influência deve passar pelos labirintos da cabeça e do coração… senão é melhor ficar com as fontes originais.
-O público de vocês ainda é formado, na maioria, por jovens? Ou os fãs dos Engenheiros cresceram com a banda?
-Acho que há uma mistura de quem nos acompanha desde sempre e de gente que vai chegando. Eu tento não analisar muito o público. Esta é a maior prova de respeito: não resumir teu público a um padrão… ninguém é igual a ninguém.
-Como é a juventude de hoje? Você arriscaria definir... ou analisar?
-São tempos estranhos, muito pragmatismo. Todo mundo só quer saber do que pode dar certo, e às vezes a beleza está no erro. A juventude tem que lidar com estes tempos, alguns conseguem manter a sensibilidade viva, outros aderem.
-Qual o problema da ânsia por novidade e rapidez? E qual a alternativa para fugir disso?
-A novidade é um mito. Ainda mais na indústria do entretenimento. Os artistas dos quais eu gosto nunca caíram neste canto da sereia. Acho que cada um tem seu relógio e é bobagem assumir os tempos da mídia. Se é que ainda há algo revolucionário é a fidelidade.
-Como a sua timidez declarada se manifesta nos shows?
-Ser tímido é um saco… em minha defesa eu digo que pessoas tímidas são mais confiáveis…
-“Qual é a lógica do sistema”?
-A lógica do sistema é a mesma do cachorro correndo atrás do próprio rabo. As melhores coisas da vida não têm lógica.
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